sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Agilidade para que?

Lendo o 14º relatório anual State of Agile, cujo link colocarei nos comentários, vi um dado que chamou a minha atenção: dentre as empresas participantes da pesquisa que adotaram métodos ágeis, 71% afirmaram ter sido motivadas pela Aceleração das entregas de software e 51% pelo Aumento da produtividade.

Isso me assusta, pois entendo que Agile não é sobre velocidade de entrega, é sobre velocidade de adaptação, é sobre aprendizado empírico e mudança. E esta adoção da agilidade pelo motivo errado pode levar a prejuízos para a empresa e para a imagem dos processos Lean-Agile.

Penso que a ideia por trás do Agile não é terminar um projeto mais cedo. É entregar partes utilizáveis mais cedo para que as experiências destas partes nos ensinem a construir as próximas. Os processos ágeis vem do mundo de John Locke, onde somente é possível conhecer alguma coisa através da experimentação; logo, faz sentido usar agilidade se, e somente se, você está num mundo de incertezas e constantes mudanças.

Se o seu problema é resolvido por meio do raciocínio, se as suas experiências anteriores te permitem prever o que precisa ser feito ou se você consegue planejar entregas com meses de antecedência: Parabéns, você não precisa de Agilidade! Neste mundo Cartesiano os métodos preditivos tradicionais funcionam muito bem e com menor custo. Entregas iterativas e planejamento em ondas já são previstos por PRINCE2, PMBoK, RUP e outros há mais de uma década.

Por favor, não façam Design Thinking para trocar lâmpada! Nem Lean Inception para construir um produto que vocês já conhecem. MVP serve para provar uma tese, não para acalmar stakeholder ansioso. 

Acredito que, se você quer que seus desenvolvedores produzam mais, se sintam mais felizes e motivados, processos ágeis isolados não vão resolver. Você deve aplicar boas práticas de Arquitetura de Software e de Quality Assurance, deve melhorar seus Líderes e mudar o ambiente.

Vejo muitas organizações confundindo gestão 3.0 com infantilização da gestão. Encher a empresa de videogames, oferecer lanchinhos e espalhar murais coloridos tornam o ambiente descontraído, alegre, divertido, aumentam o conforto, a vontade de permanecer ali etc. Nada disso adianta se você continuar medindo as pessoas em função dos resultados, não funciona se você continuar dando privilégios aos "gerentes", não serve de nada se você continuar gerindo as pessoas em vez do sistema. Transformar sua empresa num jardim de infância não a tornará mais efetiva.

Um líder estúpido continua estúpido, mesmo quando chamado de Scrum Master.
Um código ruim continua ruim até ser refatorado, não importa quanto tempo você demora entre um release e outro.
Um ambiente tóxico continua tóxico, mesmo com quadros e adesivos coloridos.

Essa é a opinião de um mero adepto do Hybrid Manifesto e da Ambidestria Organizacional. E você, o que pensa sobre isso?

Scrum - You're doing it the right way! Or... maybe... not at all

     Once upon a time, a long time ago, in a galaxy far, far away, there was a human called John Goodsense. John was a senior Scrum Master, ...