quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O pior cego é aquele que não sabe que não enxerga

Saudações, sejam bem vindos ao primeiro post do Agilidade Corporativa!



Hoje vou contar um caso real da minha vida e as cinco lições que aprendi dele:

Quando eu tinha cerca de 10 anos de idade, num acidente de trânsito, sofri duas perfurações na córnea direita por cacos de vidro. Graças a Deus, a bons amigos e à obra social de uma clínica especializada, não perdi o olho; mas fiquei com duas grandes cicatrizes e um "belo" astigmatismo.

Não me recordo o tempo exato, mas acredito que por dois ou três dias tive uma pequena perda visual, mas logo voltei a enxergar "normalmente". Ao identificar uma queda na qualidade das imagens, meu cérebro abandonou o plano da natureza de enxergar com ambos os olhos e se adaptou. Aplicando um Relentless Improvement, ele simplesmente desligou o olho direito.

Lição N° 1: Não tenha medo de mudar, não tenha pena do que deixar para trás. Foque em entregar o melhor resultado possível para o seu cliente.

Passados muitos anos, depois de adulto, procurei um oftalmologista para avaliar a situação. A resposta foi simples: "Podemos corrigir o problema com uma raspagem a laser, mas eu não recomendo isso".

Ao tentar remover as cicatrizes para me devolver a qualidade da visão do olho direito havia um grande risco de se causar outra perfuração; e esta seria definitiva. Considerando que a "deficiência" não me atrapalhava, abandonamos a ideia.

Licão N° 2: Quando se tem 20% de chances de conseguir uma melhoria e 80% de chances de arruinar definitivamente o projeto, apostar nos 20% não é empírico. Nem é científico, nem ousado... É irresponsável.

Mais alguns anos se passaram até que eu comecei a dirigir e percebi um problema: Eu não enxergo quebra-molas, ou lombada (como preferir). Recebi então outro diagnóstico: Falta de visão 3D. E agora sim aquele olho começou a fazer falta.

Solução: Farol de neblina. A luz baixa do farol de neblina projeta a sombra do quebra-molas no asfalto e pela sombra eu sei o quanto devo reduzir. Observar os carros à frente também surte o mesmo efeito.

Lição N° 3: Procure alternativas, observe, faça experimentos... Aplique o duplo diamante do Design Thinking. A resposta para o seu problema pode não ter relação direta com a causa dele. Quando não se pode eliminar a causa, pode-se contornar os efeitos.

Avançamos mais alguns anos no tempo até que eu comecei a sentir uma coisa chamada de fadiga por excesso de luz azul. Que nada mais é do que a versão mais nova da "vista cansada". Desta vez o oftalmologista me prescreveu um óculos que não apenas descansou meu olho esquerdo como devolveu a vida do direito. Aquele problema que só tinha solução com uma cirugia a laser foi resolvido com uma simples lente de óculos que ainda não tinha sido inventada naquela época.

Lição N° 4: A todo momento e em todo lugar são criadas novas técnicas e tecnologias. Se você não é capaz de resolver o problema hoje, não se desespere. Adote medidas de contenção e contingência, se adapte, sobreviva no mercado. Assim você poderá periodicamente buscar novas idéias até que lhe sobrevenha a solução.

Colocando meus novos óculos, minha visão se embaralhou mas, em poucos segundos, percebi duas imagens se aproximando e se unindo. Novamente meu cérebro inspecionou as imagens que recebia, identificou a melhoria e se adaptou. Meu olho direito foi ligado novamente e os quebra-molas passaram a saltar para fora do asfalto. Não só eles, mas todas as outras coisas se tornaram menos planas e mais vivas. Foi então que eu percebi que durante três quartos da minha vida eu enxerguei apenas parte do mundo. Literalmente me faltava uma dimensão.

Lição N° 5: Para se ter perspectiva é preciso enxergar o cenário de mais de um ponto de vista. Com a visão de uma pessoa (ou de um olho) você enxerga o que está no seu plano de visão e perde o que está nos outros. Para ter uma visão plena dos problemas e das soluções é preciso uma equipe heterogênea, que compartilhe metas e objetivos, mas mantenha pontos de vista (e opiniões) diferentes.

Por hoje é só isso, agradeço a sua paciência e espero que esta estória sirva para te fazer refletir.

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